Food Trend Analyst & Creative Producer
Alcoutim Ilustrado - Residência Artística
Alcoutim Ilustrado é um projeto que estou a desenvolver com a Cooperativa Agrícola e Social do Pão Duro, no concelho de Alcoutim, a partir de uma ideia simples: convidar ilustradores a passar tempo no território e produzir trabalho a partir daquilo que encontram.
A proposta prevê uma residência de cerca de dez dias, com três a quatro ilustradores. A Joana Rosa Bragança assume a curadoria artística e fotografia e eu fico responsável pela produção do projeto, desde a estrutura da residência e contacto com parceiros até orçamento, logística, programação, alimentação, deslocações e articulação com a comunidade.
Durante a residência, os artistas terão contacto com paisagem, geologia, biodiversidade, arquitetura, arqueologia, agricultura, atividade cinegética, gastronomia, memória e vida quotidiana, através de saídas de campo, arquivos locais e encontros com pessoas que conhecem e trabalham o território.
Não quero que seja uma residência em que os artistas chegam, desenham a paisagem durante dez dias e vão embora. O programa é construído para criar contexto e acesso a pessoas, lugares e conhecimentos que dificilmente seriam encontrados numa visita normal.
Está previsto um primeiro momento comunitário de apresentação e, no final, um evento aberto com exposição dos trabalhos, caminhada, comida e programação cultural.
Os trabalhos serão depois digitalizados para criar um arquivo visual de Alcoutim, que possa continuar a ser utilizado depois da residência em comunicação, publicações, postais, materiais institucionais ou outros suportes desenvolvidos localmente.
O projeto nasceu em Alcoutim por uma relação de proximidade e afeto com aquele território, mas foi estruturado desde o início para não ficar preso a ele. Alcoutim Ilustrado é também o primeiro teste de um modelo de residência que gostaria de replicar noutros lugares, mantendo a mesma metodologia e deixando que sejam o território, as pessoas e os conhecimentos locais a determinar o conteúdo de cada edição.
Não me interessa exportar os desenhos de Alcoutim para outro sítio. Interessa-me exportar a estrutura que permitiu produzi-los.
O projeto encontra-se neste momento em fase de proposta, com estrutura, parceiros, programação e orçamento em desenvolvimento.
A residência dura dez dias.
A produção, previsivelmente, começa bastante antes.
FOOD TREND ANALYST APOLONIA
Fui contratado em janeiro de 2025 para desempenhar as funções de Food Trend Analyst no Apolónia
Supermercados. O meu trabalho começa por acompanhar aquilo que está a acontecer na alimentação, desde produtos e marcas a restauração, técnicas, categorias e alterações nos hábitos de consumo, e transformar essa informação em propostas
concretas para a empresa.
Isso passa por Trend Scouting e Consumer Insights, identificando produtos e movimentos antes de se tornarem óbvios. Foi o que aconteceu com o chocolate do Dubai, que fomos os primeiros a ter em Portugal, através de uma estratégia que implementei depois de o meu personal trainer me ter falado da tendência meses antes. Uma vez por semana, meia hora a scanear o Google Trends.
Passa também por Category Development, como tenho feito com o café de especialidade e todo o material de brewing associado ou com produtos com adaptogénicos, e por Supplier Sourcing & Development: procurar forcoedores novos e mais competitivos, trabalhar diretamente com produtores locais e promovê-los, provar produto, comparar preço e posicionamento, negociar condições, dar formação em qualidade quando necessário e
ajudar a posicionar os seus produtos no mercado. O trabalho pode começar na procura de um fornecedor ou de um produto e continuar até ao lançamento, construção da categoria, degustações, comunicação, materiais de loja e articulação entre fornecedor, marketing,
ecommerce e operação. Quando o produto ainda não existe entro diretamente em Culinary R&D e Product Development.
Sandwiches
No projeto Sandwiches Apolónia desenvolvi receitas e transformei-as em produtos que pudessem ser produzidos diariamente, trabalhando ingredientes, gramagens, custos, conservação, montagem, organização da produção e
formação da equipa. Esse trabalho continua no desenvolvimento de novos preparados para as secções, como salmão teriyaki, carpaccio de vieiras e outras propostas que cruzam aquilo que encontro no mercado com aquilo que faz sentido
produzir e vender dentro do Apolónia.
Uso também tendências e conhecimento técnico para fazer Product Activation sobre referências que já vendemos. Um exemplo foi o Stilton curado com vinho do Porto: propus a ideia, defini e ensinei o processo, coordenci a produção de conteúdos e a ativação teve impacto direto nas vendas, esgotando o stock no próprio dia em que o produto foi colocado à venda.
Nas provas e eventos faço Food & Wine Experience Design e Event Production. Parto dos produtos disponíveis, construo combinações, defino a sequência das provas e transformo produto em poquenas experiências que permitem ao cliente perceber diferenças de sabor, textura, técnica ou pairing. Aplico isto a várias feiras ao longo do ano e fico responsável por pôr as ideias em prática, desde o conceito e
escolha dos produtos até ao aluguer de material, organização operacional e formação das quipas que as vão executar.


Uma parte importante do meu trabalho é também Product Storytelling, Content Curation e AI Content Validation. Escrevo descrições de catálogo cruzando produtor, origem, técnica, história e utilização gastronómica e valido muito conteúdo produzido com inteligência artificial, tanto factual como gastronomicamente.
Faço o mesmo raciocínio quando seleciono produtos para comunicação: cruzo vendas, sazonalidade, públicos internacionais, posicionamento do Apolónia e aquilo que efetivamente tem alguma coisa para contar. Isto implica muito Benchmarking e Social Listening, muitas redes sociais, observação constante de que marcas, supermercados, restaurantes e consumidores estão a fazer e bastante filtragem entre sinal e ruído.
Contribuo também para a produção de conteúdo de marketing e, mais recentemente, propus-me desenvolver e liderar uma produção audiovisual num formato e numa escala que ainda não tinham sido trabalhados desta forma dentro da marca.
Entrei aí numa área de Creative Direction e Audiovisual Production: desenvolvi o conceito, seleção e preparação de produto, direção de arte, food styling, casting e construção da narrativa, trabalhando depois de forma próxima com a UNCOOL na realização e montagem.
Mais do que apresentar essa produção como um ponto isolado, interessa-me ter aberto espaço dentro da empresa para este tipo de trabalho e poder continuar a desenvolvê-lo. Aqui o princípio é o mesmo do resto da função: conhecer suficientemente bem o produto, as lojas, os clientes, o contexto e a marca para decidir o que mostramos e como mostramos.
É por isto que, para além de Food Trend Analyst, decidi humildemente auto-intitular-me Food Trend Analyst & Creative Producer at Apolónia Supermercados.
A escolha do inglês para denominar as minhas funções foi iniciativa da empresa.
Eu decidi dar continuidade.
Future Projects
Comitiva do Rabo ao Focinho - Castro Marim
Em outubro participo na edição de 2026 da Comitiva do Rabo ao Focinho, projeto criado por Rafa Bocaina e Carla Spironelo que trabalha cultura alimentar através de investigação de campo, contacto com produtores, pescadores, cozinheiros e pessoas que mantêm práticas e conhecimentos ligados aos territórios.
A edição deste ano decorre durante sete dias e alarga o trabalho das edições anteriores, muito centrado no porco e na charcutaria, ao sal, mar, pesca e conservação. O percurso começa no Algarve e termina no Porto.
A minha responsabilidade é exclusivamente o primeiro dia da Comitiva, em Castro Marim.
Depois de uma pequena paragem no percurso desde Lisboa, o grupo segue diretamente para as salinas da Salmarim, onde o sal e a paisagem de Castro Marim funcionam como ponto de partida para a viagem.
Estou responsável por desenvolver e executar o almoço criado especificamente para esse dia, desde o conceito gastronómico e menu à articulação com produtores e fornecedores, compras, produção, equipa, material, mise en place e serviço.
Durante o almoço coordeno a cozinha e a execução do menu, mas estarei sobretudo focado em acompanhar o grupo e apresentar o contexto histórico, social, cultural e gastronómico daquilo que estamos a comer e do território onde estamos. A refeição funciona também como forma de falar da relação entre serra e litoral, das salinas, da pesca e da indústria conserveira, da faina do atum, das técnicas de conservação e da circulação de produtos e pessoas no Algarve.
A cozinha parte desse contexto, trabalhando sobretudo sal, peixe, marisco, atum, porco, conservação e fogo. O objetivo não é fazer uma demonstração de “cozinha tradicional algarvia”, mas usar produtos, técnicas e referências locais numa refeição contemporânea que faça sentido naquele lugar.
É também um projeto onde consigo voltar a trabalhar diretamente com alguns produtores e profissionais com quem mantenho relações há vários anos, incluindo a Salmarim e o Feito no Zambujal.
No dia seguinte, a Comitiva segue para Sagres e eu fico a acompanhar de longe o magnífico programa.

MAVALÁ × CASTA NOVA - Aperitivo Pop-Up
No dia 17 de setembro de 2026, a Osteria Mavalá ocupa por uma tarde a Casta Nova, em Olhão, para um aperitivo entre as 18h00 e as 20h30.
A colaboração partiu de uma proposta minha. Identifiquei a proximidade entre os dois projetos, apresentei a ideia, desenvolvi o conceito e o formato, defini a distribuição de responsabilidades e tenho feito a articulação entre as duas casas e a promoção necessária para pôr o evento de pé.
O formato é deliberadamente simples: uma grande mesa de aperitivo, comida da Mavalá, vinhos naturais selecionados pela Casta Nova, algumas referências italianas, música e 30 a 40 pessoas a circular pelo espaço. O Aperitivo Pass de 20 € inclui a comida e um copo de bolhas italianas à chegada; o restante vinho fica integralmente a cargo da Casta Nova.
Não há jantar formal, lugares marcados ou harmonizações obrigatórias. A referência é a cultura italiana do aperitivo, adaptada às duas identidades: comida generosa e reconhecível da Mavalá, vinho e serviço da Casta Nova e um formato suficientemente informal para as pessoas chegarem, comerem, beberem e ficarem mais um pouco.
Apesar de ter desenvolvido e promovido a colaboração, no dia o meu papel simplifica bastante. Represento a Mavalá e coordeno a execução da comida, com panini, vitello tonnato, tomate e stracciatella, antipasti, queijos, enchidos e outros pequenos formatos preparados para reposição ao longo do evento.
A Casta Nova mantém o controlo do espaço, receção, faturação, bar e curadoria vínica. A Mavalá leva a comida e a sua identidade gastronómica.
O meu trabalho foi juntar as duas casas, construir um formato que fizesse sentido para ambas e fazê-lo acontecer.
No dia, felizmente, basta cozinhar.
Alcoutim Ilustrado - Residência Artística
Alcoutim Ilustrado é um projeto que estou a desenvolver com a Cooperativa Agrícola e Social do Pão Duro, no concelho de Alcoutim, a partir de uma ideia simples: convidar ilustradores a passar tempo no território e produzir trabalho a partir daquilo que encontram.
A proposta prevê uma residência de cerca de dez dias, com três a quatro ilustradores. A Joana Rosa Bragança assume a curadoria artística e fotografia e eu fico responsável pela produção do projeto, desde a estrutura da residência e contacto com parceiros até orçamento, logística, programação, alimentação, deslocações e articulação com a comunidade.
Durante a residência, os artistas terão contacto com paisagem, geologia, biodiversidade, arquitetura, arqueologia, agricultura, atividade cinegética, gastronomia, memória e vida quotidiana, através de saídas de campo, arquivos locais e encontros com pessoas que conhecem e trabalham o território.
Não quero que seja uma residência em que os artistas chegam, desenham a paisagem durante dez dias e vão embora. O programa é construído para criar contexto e acesso a pessoas, lugares e conhecimentos que dificilmente seriam encontrados numa visita normal.
Está previsto um primeiro momento comunitário de apresentação e, no final, um evento aberto com exposição dos trabalhos, caminhada, comida e programação cultural.
Os trabalhos serão depois digitalizados para criar um arquivo visual de Alcoutim, que possa continuar a ser utilizado depois da residência em comunicação, publicações, postais, materiais institucionais ou outros suportes desenvolvidos localmente.
O projeto nasceu em Alcoutim por uma relação de proximidade e afeto com aquele território, mas foi estruturado desde o início para não ficar preso a ele. Alcoutim Ilustrado é também o primeiro teste de um modelo de residência que gostaria de replicar noutros lugares, mantendo a mesma metodologia e deixando que sejam o território, as pessoas e os conhecimentos locais a determinar o conteúdo de cada edição.
Não me interessa exportar os desenhos de Alcoutim para outro sítio. Interessa-me exportar a estrutura que permitiu produzi-los.
O projeto encontra-se neste momento em fase de proposta, com estrutura, parceiros, programação e orçamento em desenvolvimento.
A residência dura dez dias.
A produção, previsivelmente, começa bastante antes.
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